quarta-feira, 13 de junho de 2012

PROJETO DE LEITURA
ACONTECEU NA CAATINGA



Este projeto foi desenvolvido durante as aulas de Língua Portuguesa da Escola Faustiniano Ribeiro Lopes com o intuito de promover   a leitura e a produção de contos ambientados na caatinga, o que permitirá um maior envolvimento dos alunos com a realidade de seu contexto local.
Começamos o projeto com a leitura do conto "Aconteceu na caatinga" de Clotilde Tavares e depois fizemos atividades envolvendo a linguagem do texto narrativo, elementos pré textuais e partimos para as produções dos textos que posto aqui no blog.
Espero que apreciem.
Abraços.



 Aconteceu na caatinga


Era meio-dia e a caatinga brilhava à luz incandescente do Sol. O pequeno Calango deslizou rápido sobre o solo seco, cheio de gravetos e pedras, parando na frente do majestoso Mandacaru, que apontava para o céu seus espinhos, os grandes braços abertos em cruz. 
- Mandacaru! Mandacaru! Eu ouvi os homens conversando lá adiante e eles estavam dizendo que, como a caatinga está muito seca e cor de cinza, vão trazer do estrangeiro umas árvores que ficam sempre verdes quando crescem e estão sempre cheias de folhas. 
- Mas que novidade é essa? - falou a Jurema. 
- Coisa de gente besta - disse o Cardeiro, fazendo um muxoxo irritado e atirando espinhos para todo lado. 
- Eu é que não acredito nessas novidades - sussurrou o pequeno e tímido Preá.

A velha Cobra, cheia de escamas de vidro e da idade do mundo, só fez balançar a cabeça de um lado para o outro e, como se achasse que não valia a pena falar, ficou em silêncio. 
E no outro dia, bem cedinho, os homens já haviam plantado centenas de arvorezinhas muito agitadas, serelepes e faceiras, que falavam todas ao mesmo tempo na língua lá delas, reclamando de tudo: do Sol, da poeira, dos bichos e das plantas nativas, que elas achavam pobres, feias e espinhentas. Enquanto falavam, farfalhavam e balançavam os pequenos galhos, que iam crescendo, ganhando folhas e ficando cada vez mais fortes. 
Enquanto isso, as plantas da caatinga, acostumadas a viver com pouca água, começaram a notar que essa água estava cada vez mais difícil de encontrar. As raízes do Mandacaru, da Jurema e do Cardeiro cavavam, cavavam e só encontravam a terra seca e esturricada. 
O Calango então se reuniu com os outros bichos e plantas para encontrar uma solução. E foi a velha Cobra quem matou a charada: 
- Quem está causando a seca são essas plantinhas importadas e metidas a besta! Eu me arrastei por debaixo da terra e vi o que elas fazem: bebem toda a nossa água e não deixam nada para a gente. 
- Oxente! - gritou o Calango. - Então vou contar isso aos homens e pedir uma solução. 
Mas logo o Calango voltou, triste e decepcionado. 
- Os homens não me deram atenção - disse. - Falaram que eu não tenho instrução, não fiz universidade e que eu estou atrapalhando o progresso da caatinga. 
E todos os bichos e plantas ficaram tristes, mas estavam com tanta sede que nem sequer puderam chorar: não havia água para fabricar as lágrimas. Por muitos dias ficaram assim e quando estavam à beira da morte houve um movimento: era o Preá, que levantou o narizinho, farejou o ar e, esquecendo a timidez, gritou: 
- Estou sentindo cheiro de água! 
- É mesmo! - gritaram todos. 
- O que será que aconteceu? - perguntou a Jurema. 
- Eu vou ver o que foi - e o Calango saiu veloz, espalhando poeira para todos os lados. 
O Mandacaru estirou os braços, espreguiçou-se e sorriu: 
- Estou recebendo água de novo! Hum... É muito bom! Mas vejam! O Calango está de volta com novidades! 
E espichando meio palmo de língua de fora, morto de cansado pela carreira, o Calango contou tudo. 
- As pequenas bandidas verdes, depois de beber quase toda a água da caatinga, estavam ameaçando a água dos rios e dos açudes perto das cidades. Os homens então viram o perigo e deram fim a todas elas. Estamos salvos! 
E todos ficaram alegres, sentindo a água subir pelas raízes. Olharam para o céu azul da caatinga, aquele céu claro, o Sol brilhante, olharam uns para os outros e viram que eram irmãos, na mesma natureza, no mesmo tempo, na mesma Terra. 
E a velha Cobra, desenroscando-se toda lentamente, piscou o olho e concluiu:

- É como dizia minha avó: cada macaco no seu galho!



Texto 01: A caatinga e suas belezas

                Numa tarde tão linda de sol um grupo de amigos foi se aventurar na caatinga. Então começaram a explorar a caatinga, onde conheceram as principais plantas: o mandacaru e a jurema. Mas o que eles gostaram mesmo foi do cardeiro, por sua beleza incrível de nascer sem ninguém plantá-lo.
     Eles também encontraram muitos animais, entre eles o calango e o preá. A Maria pensou que o preá fosse um rato e pulou nos braços do Pedro. Ele explicou para Maria que aquele bichinho pequeno não era um rato e sim um preá.
     Então começaram a tirar fotos e se aventuraram no meio de tantas belezas em um só lugar que é a caatinga. De repente andaram, andaram até encontrar um enorme pé de umbu com aquela sombra gigante, boa para descansar. E foi isso que eles fizeram depois de chupar os umbus maduros que tinham no pé.
     Depois que descansaram eles foram embora felizes por terem conhecido a importância e a beleza da querida caatinga.
Autores: Moisés, Laila, Georgino e Tanise


Texto 02: A seca na caatinga

     Era uma vez na caatinga uma coruja que sabia de tudo. Ela teve uma visão que iria chover e saiu espalhando a noticia por toda a caatinga.
     Todo mundo falava que era mentira da coruja, já que na caatinga não chovia há meses. Então a coruja voou para a sua toca e esperou anoitecer.
     Quando a noite chegou com as nuvens carregadas de água que tampavam o céu, não dava para ver nada. Então começou a chover e todos os animais falavam:
     _ A coruja estava com a razão.
     No outro dia os animais pediram desculpas para a coruja. Ela falou:
     _Está tudo bem, não precisam pedir desculpas. Então a coruja voou para a sua toca e foi descansar.
     No outro dia a coruja teve outra visão que iria chover e falou para todo mundo e todo mundo se preparou para a chuva e assim pra frente, em cada ano dava uma chuva.
     Chegou o outro ano e a seca apertou, apertou e a coruja nada de ter outra visão. E as árvores foram secando, secando, até que não restou nem uma folha. Então a coruja teve outra visão que em pouco tempo iria chover e inundar tudo. Ela saiu anunciando por toda a caatinga. Todos que moravam no solo ficaram em cima das árvores. Ficaram quatro dias inundados. Quando secou, estavam cheios de alimentos para comer.
Autores: Tiago e Delvan


 Texto 03:Um mistério na caatinga

     Eu sou o Calango e vim me apresentar. Essa história aconteceu nos meus tempos de juventude.
     Foi assim. Alguns animais viviam reclamando pois seus pertences estavam sumindo.
     O Preá dizia:
     _ Sumiu minha pomada.
     O Calango dizia:
     _ Sumiu minha escova.
     De tanto ouvir reclamação o prefeito contratou uma detetive que, em várias tentativas, não conseguiu desvendar o mistério.
     Um dia uma cobra muito estranha começou a perambular pela cidade. Os moradores, mortos de medo e curiosidade, perguntaram:
     _ De onde você é dona Cobra?
     Ela respondeu:
     _ Eu sou do oeste. Sou uma super detetive e vim desvendar o mistério.
     Passou-se dois dias e a cobra mandou reunir todos os animais da caatinga na praça rochosa. Quando os bichos chegaram, a cobra gritou:
     _ Desvendei o mistério! Foi o Tatu! Vou explicar.
     O Tatu escalavacou por baixo da terra e ia roupando todos os pertences de vocês.
     _ E como vamos capturá-lo. É muito difícil de pegá-lo, disse um deles.
     _ Vamos esperar sair à noite e o pegamos, disse a cobra.
     E deu tudo certo. Até hoje a cobra é parabenizada pelo seu ato de coragem. Mas até hoje o Preá não conseguiu recuperar sua pomada.
Autores: Vitória, Beatriz e Gabriela



Texto 04: Amor na caatinga

     A vegetação predominante no nordeste é a caatinga, que abriga mais de 823 espécies de animais e mais de 3000 espécies de plantas.
     Um dia na caatinga surgiu uma paixão entre Virgulino e Raimunda. Eles eram índios que se conheceram num ritual para invocar os deuses. Mas eles não podiam ficar juntos porque eram de tribos inimigas.
     Virgulino e Raimunda marcaram um encontro na caatinga e se divertiram bastante debaixo do pé de barriguda.
     Três meses depois descobriram que Raimunda estava grávida. Sua mãe então perguntou:
     _ Quem é o pai da criança?
     Raimunda logo disse:
     _ É Virgulino!
     O pai de Raimunda, furioso, falou:
     _ Aquele infeliz agora tem que casar!
     Seis meses depois do casamento Virgulininho nasceu todos viveram felizes na grande caatinga.
Autores: George, Lucas, Ueslei e Anderson
    

Texto 05:Um pequeno de grande coragem

Amanhecia mais um dia na caatinga. Um sol forte numa terra seca.
     Os animais acordavam para mais uma jornada cansativa. As ovelhas iam procurar troncos grossos para fazer colmeias, os veados foram buscar frutos de quixabeiras, os teiús foram buscar folhas, os preás macambiras que são usadas como fonte de água.
     Chegava a noite e as corujas com seu belo canto anunciavam o fim de um duro dia de trabalho.
     Na caatinga havia também uma gangue de exterminadores que eliminavam os animais que não entregassem a comida. Mas o pequeno Preazinho não estava nem um pouco satisfeito com aquela situação. Ele não queria que os animais trabalhassem cansativamente o dia todo para entregar comida e depois chegar um bando de preguiçosos e levar tudo. Ele queria que os animais se unissem e lutassem por seus direitos.
     Mas os animais tinham muito medo, entregavam a comida e depois iam embora. Então o Preazinho insistiu que se todos se unissem, eles venceriam e poderiam ficar com toda a comida encontrada.
     Então o Preazinho resolveu enfrentar a gangue sozinho e foi a procura dela.
     No dia seguinte seus amigos foram atrás dele pois achavam que ele estava maluco de enfrentar uma gangue daquele tamanho.
     Mas não podiam deixá-lo sozinho. Lutaram bravamente e por pouco não perderam a luta.
     O Preazinho foi atingido e ficou muito tempo mal mas sobreviveu com seu ato de coragem. Todos entenderam que a união faz a força e nunca mais tiveram que entregar sua comida tão suada.
Autora: Ana Care