Começamos os nossos trabalhos em sala de aula com a leitura de crônicas, um gênero que possibilita ampliar os nossos conhecimentos acerca de uma série de assuntos, pois nos leva a diversos caminhos trilhados pela emoção, criticidade, prazer, reflexão e interesse pela leitura.
E é com o intuito de nos adentrar nesse mundo de leitores críticos e reflexivos que realizamos um trabalho a partir da leitura da crônica “Os jornais” de Rubem Braga.
Após a leitura da crônica houve a discussão sobre o papel da mídia em nossa sociedade: o que é notícia e o que é apelação barata pra vender jornais. Após a proveitosa reflexão que fizemos sobre o tema, os alunos produziram suas próprias notícias que trago aqui para o nosso blog, é claro.
Meu amigo lança fora, alegremente, o jornal que está lendo e diz:
- Chega! Houve um desastre de trem na França, um acidente de mina na Inglaterra, um surto de peste na Índia. Você acredita nisso que os jornais dizem? Será o mundo assim, uma bola confusa, onde acontecem unicamente desastres e desgraças? Não! Os jornais é que falsificam a imagem do mundo. Veja por exemplo aqui: em um subúrbio, um sapateiro matou a mulher que o traía. Eu não afirmo que isso seja mentira. Mas acontece que o jornal escolhe os fatos que noticia. O jornal quer fatos que sejam notícias, que tenha conteúdo jornalístico. Vejamos a história desse crime "Durante os três primeiros anos o casal viveu imensamente feliz..." Você sabia disso? O jornal nunca publica uma nota assim:
"Anteontem, cerca de 21 horas, na rua Arlinda, no Méier, o sapateiro Augusto Ramos, de 28 anos, casado com a senhora Deolinda Brito Ramos, 23 anos de idade, aproveitou-se de um momento em que sua consorte erguia os braços para segurar uma lâmpada para abraçá-la alegremente, dando-lhe beijos na garganta e na face, culminando em um beijo na orelha esquerda. Em vista disso, a senhora em questão voltou-se para o seu marido, beijando-o longamente na boca e murmurando as seguintes palavras: "Meu amor", ao que ele retorquiu:
"Deolinda".
Na manhã seguinte Augusto Ramos foi visto saindo de sua residência às 7h45, isto é, dez minutos mais ttarde do que o habitual, pois se demorou, a pedido de sua esposa, para consertar a gaiola de um canário-da-terra de propriedade do casal".
A impressão que a gente tem, lendo os jornais - continuou meu amigo - é que "lar" é um local destinado principalmente, à pratica de "uxoricídio". E dos bares, nem se fala.
Imagine isto:
"Ontem, às 22 horas, o indivíduo Ananias Fonseca, de 28 anos, pedreiro, residente na rua Chiquinha, sem número, no Encantado, entrou no bar "Flor Mineira", rua Cruzeiro, 524, em companhia de seu colega Pedro Amância de Araújo, residente no mesmo endereço. Ambos entregaram-se a fartas libações alcoólicas e já se dispunham a deixar o botequim quando apareceu Joca de tal, de residência ignorada, antigo conhecido dos dois pedreiros, e que também estava visivelmente alcoolizado.Dirigindo-se aos dois amigos, Joca manifestou desejo de sentar-se à sua mesa, no que foi atendido. Passou então a pedir rodadas de conhaque, sendo servido pelo empregado do botequim, Joaquim Nunes. Depois de várias rodadas, Joca declarou que pagaria toda a despesa. Ananias e Pedro protestaram, alegando que eles já estavam na mesa antes. Joca, entretanto insistiu, seguindo-se uma disputa entre os três homens, que terminou com a intervenção do referido empregado, que aceitou a nota que Joca lhe estendia. No momento em que trouxe o troco, o garçom recebeu uma boa gorjeta, pelo que ficou contentíssimo, o mesmo acontecendo aos três amigos que se retiraram do bar alegremente, cantarolando sambas. Reina a maior paz no subúrbio Encantado, e a noite bastante fresca, tendo dona Maria, sogra do comerciante Adalberto Ferreira, residente à rua Benedito, 14, senhora que sempre foi muito friorenta, chegando a puxar o cobertor, tendo depois sonhado que seu netinho lhe oferecia um pedaço de goiabada".
E meu amigo:
- Se um repórter redigir essas duas notas e levá-las a um secretário de redação, será chamado de louco. Porque os jornais noticiaram tudo, tudo, menos, uma coisa tão banal de que ninguém se lembra: a vida...
BRAGA, Rubem. Para Gostar de Ler vol.5. São PPaulo: Ática, 2003.
Os jornais
Rubem Braga
Meu amigo lança fora, alegremente, o jornal que está lendo e diz:
- Chega! Houve um desastre de trem na França, um acidente de mina na Inglaterra, um surto de peste na Índia. Você acredita nisso que os jornais dizem? Será o mundo assim, uma bola confusa, onde acontecem unicamente desastres e desgraças? Não! Os jornais é que falsificam a imagem do mundo. Veja por exemplo aqui: em um subúrbio, um sapateiro matou a mulher que o traía. Eu não afirmo que isso seja mentira. Mas acontece que o jornal escolhe os fatos que noticia. O jornal quer fatos que sejam notícias, que tenha conteúdo jornalístico. Vejamos a história desse crime "Durante os três primeiros anos o casal viveu imensamente feliz..." Você sabia disso? O jornal nunca publica uma nota assim:
"Anteontem, cerca de 21 horas, na rua Arlinda, no Méier, o sapateiro Augusto Ramos, de 28 anos, casado com a senhora Deolinda Brito Ramos, 23 anos de idade, aproveitou-se de um momento em que sua consorte erguia os braços para segurar uma lâmpada para abraçá-la alegremente, dando-lhe beijos na garganta e na face, culminando em um beijo na orelha esquerda. Em vista disso, a senhora em questão voltou-se para o seu marido, beijando-o longamente na boca e murmurando as seguintes palavras: "Meu amor", ao que ele retorquiu:
"Deolinda".
Na manhã seguinte Augusto Ramos foi visto saindo de sua residência às 7h45, isto é, dez minutos mais ttarde do que o habitual, pois se demorou, a pedido de sua esposa, para consertar a gaiola de um canário-da-terra de propriedade do casal".
A impressão que a gente tem, lendo os jornais - continuou meu amigo - é que "lar" é um local destinado principalmente, à pratica de "uxoricídio". E dos bares, nem se fala.
Imagine isto:
"Ontem, às 22 horas, o indivíduo Ananias Fonseca, de 28 anos, pedreiro, residente na rua Chiquinha, sem número, no Encantado, entrou no bar "Flor Mineira", rua Cruzeiro, 524, em companhia de seu colega Pedro Amância de Araújo, residente no mesmo endereço. Ambos entregaram-se a fartas libações alcoólicas e já se dispunham a deixar o botequim quando apareceu Joca de tal, de residência ignorada, antigo conhecido dos dois pedreiros, e que também estava visivelmente alcoolizado.Dirigindo-se aos dois amigos, Joca manifestou desejo de sentar-se à sua mesa, no que foi atendido. Passou então a pedir rodadas de conhaque, sendo servido pelo empregado do botequim, Joaquim Nunes. Depois de várias rodadas, Joca declarou que pagaria toda a despesa. Ananias e Pedro protestaram, alegando que eles já estavam na mesa antes. Joca, entretanto insistiu, seguindo-se uma disputa entre os três homens, que terminou com a intervenção do referido empregado, que aceitou a nota que Joca lhe estendia. No momento em que trouxe o troco, o garçom recebeu uma boa gorjeta, pelo que ficou contentíssimo, o mesmo acontecendo aos três amigos que se retiraram do bar alegremente, cantarolando sambas. Reina a maior paz no subúrbio Encantado, e a noite bastante fresca, tendo dona Maria, sogra do comerciante Adalberto Ferreira, residente à rua Benedito, 14, senhora que sempre foi muito friorenta, chegando a puxar o cobertor, tendo depois sonhado que seu netinho lhe oferecia um pedaço de goiabada".
E meu amigo:
- Se um repórter redigir essas duas notas e levá-las a um secretário de redação, será chamado de louco. Porque os jornais noticiaram tudo, tudo, menos, uma coisa tão banal de que ninguém se lembra: a vida...
BRAGA, Rubem. Para Gostar de Ler vol.5. São PPaulo: Ática, 2003.
Texto 01:
Urgente! Mirorós está secando.
É preocupante o estado da barragem de Mirorós, pois estamos em um período de seca e o nível do nível de água está cada vez mais baixo.
Nas regiões abastecidas pela barragem está havendo racionamento de água. Estima-se que a barragem secará este ano, 2012 e já percebe-se a escassez de água nessas regiões abastecidas pela barragem.
Acredita-se que este problema está acontecendo por causa das irrigações que consomem muita água, agravando assim esta situação.
A solução para este problema já foi lançado: Uma proposta foi dada pelo governo que é usar a água do Rio São Francisco para abastecer a barragem de Mirorós. Mas, enquanto eles pensam a barragem está secando e a situação está crítica.
Autores: Thierre, Páblio, Thales Araújo e Rafael da Turma 2M8 do Colégio Modelo.
texto;a caatinga e suas belesas e um texto interessante pois diz das belesas da caatinga de seus animais e suas arvores tao belas e e a sua principal planta que nasce por se mesma adoramos muito o texto [perola maryane e ana carla]thal
ResponderExcluiralunos(as):antônio junior e georgino Gama
ResponderExcluirresposta da questão 01:
que a vaidade aborda varios perigos,a busca estrema em casos
muitos remotos jovens morrem sem aproveitar a vida
por que queriam o que elas tinham beleza
resposta da questão 02:
além de causar riscos é acidentes podem machucar as pessoas e podem ser mutado pela a lei seca, e ate mesmo presos.