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NOSSAS
HISTÓRIAS
NOSSO
LUGAR
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Apresentação
Este projeto foi desenvolvido durante
as aulas de Língua Portuguesa da Escola Faustiniano Ribeiro Lopes com o
intuito de promover a leitura e a produção de contos ambientados na caatinga,
bem como memórias produzidas com base
nas vivências das pessoas que fazem parte da nossa região, o que permitirá um
maior envolvimento dos alunos com a realidade de seu contexto local.
Espero
que apreciem.
Abraços.
Leana
Abreu
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No meu tempo...
(Anderson Silva Rocha)
Aos
seis anos de idade, eu, meus irmãos e meus pais íamos para as roças buscar
lenha, porque naquele tempo não existia energia elétrica. Nós, as crianças,
achávamos muito bonito os adultos fazendo renda e eu também achava muito lindo
a minha avó fiar para fazer o tecido no tear.
Gostávamos
de brincar de boneca de pano ou sabugo e milho. Era muito lindo quando o
senhor José de Brito chegava com oito ou dez burros carregados de mercadorias
como: café, tecido, peixes e etc. Ele levava seus burros carregados de
toucinho e vinha com outras mercadorias trazidas da Barra, Rio Verde,
Xique-Xique, e também do outro lado do Rio São Francisco, pois ele era um
mascate ou tropeiro, e tudo que ele trazia na feira era vendido na feira
debaixo de uma quixabeira, onde se vendia potes, milho, feijão, tijolos de
doce de banana, goiaba e também rapadura...
Eles
já levavam uns animais com comida, à noite descansava e dava comida aos
animais. Nós ficávamos boquiabertos quando conhecíamos coisas novas.
O
sal que seu José de Brito trazia naquele tempo tinha que ser quebrado no
pilão porque não era moído, era em pedras. O café também não era em pó, era
em grãos e precisava ser pisado
Como
não existiam carros onde morávamos, quando ouvíamos barulho corríamos e nos
escondíamos. Naquele tempo, as
crianças tinham medo de avião, pois achavam que ele poderia cair em cima de
suas cabeças.
Eu não conhecia nem rádio nem bicicleta, mas
éramos felizes. As escolas eram muito longe, ficavam nas cidades de Morro do
Chapéu, Jacobina etc. Mas gostei de viver na cidade São Gabriel-Ba. E adorei
minha infância.
Escola
que faz lembrar
(Georgino
Alexandrino da Gama)
Aqui
neste lugar onde moro não tem muito pra contar. Mas, aqui tem “escola” que dá
gosto de olhar. Ela já é um pouco velha e acabada pode ficar, mas ela tem
história de coisas antigas para se lembrar.
No tempo em que
estudava na escola era uma coisa mágica, bem encantada. O professor nos
falava de brincadeiras antigas que hoje não se vê mais. Daquelas que meu avô
e meu pai brincavam quando crianças: pula sela, esconde-esconde, pula corda e
muito mais.
Lá na velha escola
aprendi a ler, a escrever e a desenhar. Posso dizer que lá aprendi a sonhar.
Meus primeiros amigos, encontrei na
velha escola. Eu brincava e conversava com eles e me sentia bem, sem saber
que no futuro poderia ter amigos melhores. Mas, a tranquilidade mora na
escola. Ela pode ser pequena, feia e
até pior, mas ela me trouxe e me traz valores fortes.
A escola mudou, os
professores mudaram, os alunos mudaram, o quadro mudou e a pintura também
mudou. Mas, pra mim, ela vai ser a mesma escola, a escola que me faz lembrar.
A velha quadra de
esportes
(Pietra Ferreira de
Almeida)
O
lugar onde vivo chama-se Gabrielzinho, um lugar bem pequeno que faz parte do
município de São Gabriel-Ba.
Aqui
no lugar onde vivo não tem muito lugar para se divertir, pois é um lugar
pequeno e pouco movimentado, o único lugar onde os adultos, jovens e crianças
se divertem é a velha quadra de esportes. Lá acontecem vários tipos de jogos,
como vôlei, futebol e baleado. Nas terças e quintas à noite acontecem os
jogos de vôlei. O meu pai além de jogar com o pessoal de fora da cidade,
treina os jovens para disputar os torneios.
Na
velha quadra de esportes as crianças e os adolescentes preferem jogar o
baleado nos sábados e domingos. As crianças se divertem pois é o único lugar
de lazer que elas têm para se divertirem.
O
futebol acontece nas segundas e quartas e é disputado por mulheres e homens.
A
velha quadra de esportes é bem legal, pois é lá que as pessoas que estão
magoadas e tristes ficam alegres e se divertem bastante. A velha quadra de
esportes está caindo aos pedaços, pois é bem antiga e há vários anos não
passa por reformas o que torna perigosa a permanência das crianças. Mas fazer
o que se a velha quadra é o único lugar que as pessoas têm para se divertir.
O
lugar onde vivo é muito pequeno e sem muito lazer para as famílias. Além da
velha quadra de esportes só existem alguns bares espalhados pelas ruas. Mas mesmo
assim eu já me acostumei com tanta tranqüilidade e o considero um lugar
especial, pois é lá na velha quadra que eu encontro minhas amigas todas as
noites.
Para mim todos devem valorizar a velha
quadra, pois é um lugar de sonhos e onde a felicidade acontece tornando
nossas vidas mais intensas.
A
caatinga e suas belezas
(Moisés,
Laila, Georgino e Tanise)
Numa tarde tão linda de sol
um grupo de amigos foi se aventurar na caatinga. Então começaram a explorar a
caatinga, onde conheceram as principais plantas: o mandacaru e a jurema. Mas
o que eles gostaram mesmo foi do cardeiro, por sua beleza incrível de nascer
sem ninguém plantá-lo.
Eles também encontraram muitos animais,
entre eles o calango e o preá. A Maria pensou que o preá fosse um rato e
pulou nos braços do Pedro. Ele explicou para Maria que aquele bichinho
pequeno não era um rato e sim um preá.
Então começaram a tirar fotos e se
aventuraram no meio de tantas belezas em um só lugar que é a caatinga. De
repente andaram, andaram até encontrar um enorme pé de umbu com aquela sombra
gigante, boa para descansar. E foi isso que eles fizeram depois de chupar os
umbus maduros que tinham no pé.
Depois que descansaram eles foram embora
felizes por terem conhecido a importância e a beleza da querida caatinga.
A
seca na caatinga
(Tiago
e Delvan)
Era uma vez na caatinga uma coruja que
sabia de tudo. Ela teve uma visão que iria chover e saiu espalhando a noticia
por toda a caatinga.
Todo mundo falava que era mentira da
coruja, já que na caatinga não chovia há meses. Então a coruja voou para a
sua toca e esperou anoitecer.
Quando a noite chegou com as nuvens
carregadas de água que tampavam o céu, não dava para ver nada. Então começou
a chover e todos os animais falavam:
_ A coruja estava com a razão.
No outro dia os animais pediram
desculpas para a coruja. Ela falou:
_Está tudo bem, não precisam pedir
desculpas. Então a coruja voou para a sua toca e foi descansar.
No outro dia a coruja teve outra visão
que iria chover e falou para todo mundo e todo mundo se preparou para a chuva
e assim pra frente, em cada ano dava uma chuva.
Chegou o outro ano e a seca apertou,
apertou e a coruja nada de ter outra visão. E as árvores foram secando,
secando, até que não restou nem uma folha. Então a coruja teve outra visão
que em pouco tempo iria chover e inundar tudo. Ela saiu anunciando por toda a
caatinga. Todos que moravam no solo ficaram em cima das árvores. Ficaram
quatro dias inundados. Quando secou, estavam cheios de alimentos para comer.
Um
mistério na caatinga
(Vitória,
Beatriz e Gabriela)
Eu sou o Calango e vim me apresentar.
Essa história aconteceu nos meus tempos de juventude.
Foi assim. Alguns animais viviam reclamando
pois seus pertences estavam sumindo.
O Preá dizia:
_ Sumiu minha pomada.
O Calango dizia:
_ Sumiu minha escova.
De tanto ouvir reclamação o prefeito
contratou uma detetive que, em várias tentativas, não conseguiu desvendar o
mistério.
Um dia uma cobra muito estranha começou
a perambular pela cidade. Os moradores, mortos de medo e curiosidade,
perguntaram:
_ De onde você é dona Cobra?
Ela respondeu:
_ Eu sou do oeste. Sou uma super
detetive e vim desvendar o mistério.
Passou-se dois dias e a cobra mandou
reunir todos os animais da caatinga na praça rochosa. Quando os bichos
chegaram, a cobra gritou:
_ Desvendei o mistério! Foi o Tatu! Vou
explicar.
O Tatu escalavacou por baixo da terra e
ia roupando todos os pertences de vocês.
_ E como vamos capturá-lo. É muito
difícil de pegá-lo, disse um deles.
_ Vamos esperar sair à noite e o
pegamos, disse a cobra.
E deu tudo certo. Até hoje a cobra é
parabenizada pelo seu ato de coragem. Mas até hoje o Preá não conseguiu
recuperar sua pomada.
Amor
na caatinga
(George,
Lucas, Ueslei e Anderson)
A vegetação predominante no nordeste é a
caatinga, que abriga mais de 823 espécies de animais e mais de 3000 espécies
de plantas.
Um
dia na caatinga surgiu uma paixão entre Virgulino e Raimunda. Eles eram
índios que se conheceram num ritual para invocar os deuses. Mas eles não
podiam ficar juntos porque eram de tribos inimigas.
Virgulino e Raimunda marcaram um
encontro na caatinga e se divertiram bastante debaixo do pé de barriguda.
Três meses depois descobriram que
Raimunda estava grávida. Sua mãe então perguntou:
_ Quem é o pai da criança?
Raimunda logo disse:
_ É Virgulino!
O pai de Raimunda, furioso, falou:
_ Aquele infeliz agora tem que casar!
Seis meses depois do casamento
Virgulininho nasceu todos viveram felizes na grande caatinga.
Um
pequeno de grande coragem
(Ana
Care)
Amanhecia
mais um dia na caatinga. Um sol forte numa terra seca.
Os animais acordavam para mais uma
jornada cansativa. As ovelhas iam procurar troncos grossos para fazer
colmeias, os veados foram buscar frutos de quixabeiras, os teiús foram buscar
folhas, os preás macambiras que são usadas como fonte de água.
Chegava a noite e as corujas com seu
belo canto anunciavam o fim de um duro dia de trabalho.
Na caatinga havia também uma gangue de
exterminadores que eliminavam os animais que não entregassem a comida. Mas o
pequeno Preazinho não estava nem um pouco satisfeito com aquela situação. Ele
não queria que os animais trabalhassem cansativamente o dia todo para
entregar comida e depois chegar um bando de preguiçosos e levar tudo. Ele
queria que os animais se unissem e lutassem por seus direitos.
Mas os animais tinham muito medo,
entregavam a comida e depois iam embora. Então o Preazinho insistiu que se
todos se unissem, eles venceriam e poderiam ficar com toda a comida
encontrada.
Então o Preazinho resolveu enfrentar a
gangue sozinho e foi a procura dela.
No dia seguinte seus amigos foram atrás
dele pois achavam que ele estava maluco de enfrentar uma gangue daquele
tamanho.
Mas não podiam deixá-lo sozinho. Lutaram
bravamente e por pouco não perderam a luta.
O Preazinho foi atingido e ficou muito
tempo mal mas sobreviveu com seu ato de coragem. Todos entenderam que a união
faz a força e nunca mais tiveram que entregar sua comida tão suada.
A
chegada da chuva
(Anderson
Silva)
Há
muito tempo atrás numa caatinga não muito longe daqui morava um Calango que
gostava de conversar com seus amigos: o Mandacaru e a Jurema.
-
A água está cada vez mais difícil. Minhas raízes estão indo cada vez mais
fundo na terra e mesmo assim não consigo encontrar nenhuma gota de água -
disse a Jurema.
-
Minhas reservas de água nas minhas raízes já estão secando. Logo vou morrer
de sede - reclamou o pobre Mandacaru.
-
Debaixo deste sol incandescente desta terra esturricada vou procurar um lugar
que tenha água e me mudar para lá – disse o Preá que acabara de chegar.
O
Calango veio correndo para se juntar ao outros. Logo começou a falar:
-
Preá! Você tem um pedaço de raiz ou inseto e um pouco de água para me dar,
pois estou morrendo de fome e de sede?
-
Não! Estou comendo cascas de árvores para matar minha fome – disse o Preá.
Conversa
vai, conversa vem e todos vão dormir para aproveitar o frescor da noite para
repor as energias. Mas naquela noite tudo estava diferente. O céu estava
nublado e havia muito vento.
Naquela
noite, exatamente à meia noite começou a chover para matar a sede dos animais
e das plantas e acabar com aquele calor insuportável.
No
outro dia apareceram a Cobra, o Gavião e o Lobo. Todos estavam muito alegres
e até esqueceram suas diferenças naturais. Fizeram uma festança com muita
comida e bebida para comemorar a chegada da chuva.
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Tempos que não voltam
(Minelvina da Cruz)
Eu trabalhava na roça, arrumava a casa, carregava baldes de água da
cacimba na cabeça. Nos meus tempos de criança nós brincávamos de boneca, queimada,
bola, casinha, caiu no poço etc. Os meninos brincavam de bola, matavam preás,
corriam atrás dos passarinhos no meio das capoeiras.
As casas eram feitas de pedra e outras de tijolos. Não havia
supermercado, como até hoje não tem e tínhamos que andar muito para comprar
os alimentos. Os fogões eram a lenha, que nossas mães traziam na cabeça. A
estrada era cheia de mato, diferente de hoje que está maior e mais limpa.
Eu ia para as festas, meu pai
ia me buscar com o cinto na mão e eu ficava injuriada. Antigamente na Matinha
havia muito mato e apenas três casas. Depois foram surgindo mais casas. A
água era pouca e não tínhamos luz elétrica. Para lavarmos as roupas tínhamos
que retirar a água das cacimbas.
Quando eu comecei a estudar na Matinha, a escola já era pública, não
havia merenda, caderno e os livros tínhamos que comprar. Às vezes eu ia com
fome para a escola por falta de dinheiro, pois a nossa situação financeira
era muito difícil. Hoje as coisas melhoraram, não são como antes que
trabalhávamos na roça porque não havia outro trabalho. Mas mesmo sendo tudo
tão difícil, nunca passamos fome.
Tempos inesquecíveis
(Ana Care Alencar de Oliveira.)
No ano de 1970, cheguei no
município de São Gabriel, um lugar simples onde a poeira cobria a face de um
povo sofrido.
Com
as mãos calejadas, escorrendo do seu rosto o suor do seu trabalho. Tempo
difícil era aquele. Ruas sem calçamento, quando chovia atolavam tudo até as
próprias pessoas e o pior, nós moradores perdíamos o que conquistávamos com o
suor do trabalho: moveis e cereais.
Naquele
tempo, a água, muito difícil, era trazida de carro pipa. Os moradores
chegavam a pagar 0,50 centavos a lata d´água, enquanto hoje as pessoas
desperdiçam sem nem imaginar o sofrimento que era conseguir essa beleza
natural. A única água que havia era salgada.
Naquela
época, não existia hospital, você pode imaginar o sofrimento? Os doentes eram
levados de Irecê a Salvador, transportados de D20 (carroceria fechada). Em
casos muito graves alguns até morriam.
Não
é tão diferente de hoje, pois há hospital mas as filas são muito grandes.
Alguns morrem a espera de atendimento, pois não há médicos.
Aqui
também não havia tanta diversão para as crianças, somente um pequeno campo de
futebol e, mesmo assim, elas eram felizes, brincando ao ar livre e
construindo seus próprios brinquedos. Bem diferente de hoje, pois as crianças
só pensam em computador, vídeo game, bonecas que falam. Não dão valor as
brincadeiras que fizeram parte da infância de muitas crianças.
Não
havia energia elétrica, os moradores viviam no escuro. Só havia candeeiro
para iluminar um solo cheio de esperança. De todas as formas de trabalho, a
maioria era no campo. E o mais curioso: não havia política. Bem diferente de
hoje.
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PARABÉNS PROFESSORA PELO SEU EMPENHO E DESEMPENHO!
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